A secularização do Ocidente | ceticismo, agnosticismo, deísmo, perenialismo


Texto por F.V.Silva, fev/2026

Pessoas irreligiosas sempre existiram aos montes, mesmo durante a Idade Média, e a ideia de que o Ocidente foi homogeneamente cristão até vir o Iluminismo e macular a santidade do mundo é falsa. Pessoas informadas sabem disso, e sabem que a ilusão de que a Europa, por exemplo, é um continente cristão deriva de um problema de métrica -- de que perguntas você faz para uma pessoa para saber se ela é religiosa ou não. Deixem-me falar sobre isso antes de discutir o início de um secularismo militante na cultura europeia.

No site da Igreja Luterana da Noruega (ssb.no), a gente encontra a estatística de que 61,7% da população norueguesa é formada por membros oficiais daquela instituição. Isso dá 3,5 milhões de pessoas, números pequenos para níveis de Brasil, mas é mais da metade de um país. Nos anos 1960, 96% dos noruegueses eram membros oficiais da igreja. Aqui a gente já tem um declínio significativo, mas que esconde uma realidade ainda mais alarmante: houve censos também, de órgãos do governo ou jornais,[^1] questionando as pessoas sobre seus hábitos religiosos, e eles chegaram aos seguintes números: menos de 5% dos noruegueses de fato tinham frequentado uma igreja no último mês, e menos de 2% era fiéis fervorosos que vão toda semana, menos no caso de imprevistos, por terem religião como parte de sua rotina. Para os outros 60 e tantos por cento, dizer numa estatística que você é cristão, naquele país, é uma forma de afirmação nacional: a identidade norueguesa foi historicamente parte da reforma protestante contra os abusos da Igreja Católica, então para a maioria das pessoas essa conexão é automática: eu nasci aqui, isso é parte da minha identidade. Mesmo que uma parte esmagadora das pessoas daquele país com altíssimos níveis de educação formal não acreditem nos artigos de fé mais básicos: a historicidade de cristo, a atuação sobrenatural de Deus no mundo, os milagres do Velho Testamento, nada. A rigor, teologicamente falando, essas pessoas são ateístas.

A ilusão de uma Europa medieval cristã, igualmente, deriva de quem como eram feitas suas estatísticas: igrejas controlavam a vida dos habitantes daquele mundo de seu nascimento até seu óbito: a data de nascimento de uma pessoa era comprovada via registros de batismo, sua data de morte, via registros de seu funeral cristão. Ninguém tinha um RG; a noção de um registro civil controlado por funcionários de governo é fenômeno amplo dos Estados nacionais modernos depois da era napoleônica, do século XIX para frente. Antes era sempre um clérigo, em um mar de analfabetos, que escrevia esses dados e deixava para a posteridade a impressão equivocada de que 100% dos europeus concordavam com os rumos da igreja católica. Afinal, eles constavam como batizados. Nada que estivesse escrito combatia aquele fato.

Entra em questão também que registrar as opiniões mesmo dessas pessoas comuns não foi o forte da Europa medieval: não existiu o interesse de escrever uma história social, como a gente conhece hoje, até muito recentemente. Embora haja, sim, uns poucos registros históricos de imperadores e reis que confrontaram os papas e expressaram opiniões que podemos incluir numa postura secular.

É o caso do imperador Frederico II (1194-1250):[^2] um dos homens mais poderosos de sua época, rei da Alemanha, Sicília e Jerusalém, e, de acordo com o Papa Gregório IX em 1239, um infiel; na frente do papa ele chamou Moisés, Jesus e Maomé de charlatões e enganadores das massas estúpidas, sem deixar de satirizar a noção de que uma virgem poderia ter parido uma cria do Deus paridor da natureza. Para maior escândalo do papa, ele reitera que uma pessoa saudável só deveria aceitar a verdade que deriva dos poderes de observação e da razão -- jamais da fé. Frederico foi excomungado repetidas vezes durante sua vida e não ligou muito para o fato; mas o caso é que a Igreja Católica era uma grande instituição política. Excomungar um rei ou imperador implicava que todos os seus súditos, da noite para o dia, estariam sem a proteção divina e estariam condenados caso morressem sem uma sanção da igreja; era esse o tipo de chantagem que a Igreja fazia para reis que não se alinhassem com seus objetos, e era algo que alterava a vida política de um reino. Que coloca a população contra seus governantes. Frederico constitui um caso singular de um homem que não pareceu se importar tanto com isso: ele detestava o papado, a pessoa de Gregório IX, e comprou aquela briga.

Então começou a correr o boato de que um dos eruditos de sua corte, Pierro dela Vania, teria escrito um livro chamado Sobre os três impostores -- um tratado muito inesperado para o século XIII que punha os três líderes das religiões monoteístas mundiais (Moisés, Jesus e Maomé) como picaretas. Hoje sabemos que esse livro nunca existiu, mas ele constitui um fenômeno cultural de suma importância pelo seguinte motivo: todo mundo queria pôr as mãos nesse livro. Por perversão, curiosidade, interesse em ouvir algo diferente das ladainhas do padre. Havia uma sede por ideias que contestassem o sobrenaturalismo infantil das religiões estabelecidas. Cito o professor Alec Ryrie:

Por praticamente cinco séculos, foram sussurrados terríveis causos sobre este livro. Pessoas excêntricas e em busca de encrenca procuram-no incansavelmente; uma princesa sueca ofereceu uma recompensa substancial a quem lhe trouxesse um exemplar. Muitos conheciam alguém que conheceu alguém que viu um exemplar do livro. [...] Por fim, no século XVIII, alguns ateus franceses escreveram um livro à altura do título temível. [...] Creio que Os Três Impostores seja um bom ponto de partida para pensarmos a descrença medieval; o livro existia no imaginário popular como um rumor, e não um manifesto. Era uma suspeita inarticulada, não um programa filosófico; e isso que o torna poderoso. (Alec Ryrie. How to be an Atheist in Medieval Europe. Gresham College, curso de 2018)

A secularização do mundo e a superação do misticismo medieval, curiosamente, levaram muito tempo para acontecer. O próprio termo "ateísmo" foi registrado em latim somente no ano de 1501, e em uma língua moderna, o inglês, em 1553. Isso não significa, como exemplifiquei no caso do rei desbocado Frederico II, que ateus não caminhassem por aquele universo. Lhes perturbava não só o fato de a Igreja Católica proliferar uma mentira para manter seu poder inconteste: também na vida comum a visão de mundo mágica da cultura católica era predominante. Documentos de tribunais medievais estão repletos de justificativas para crimes como "o Diabo me tentou a afogar meu bebê", "fui amaldiçoado pela minha vizinha bruxa e por isso roubei fulano", sei lá -- essa mentalidade não é só produto de uma crença, mas de mais da incrustação na mente das pessoas da visão de mundo que estou, nesta série, chamando de figuralista -- na educação, no senso comum e nos ditados populares; no direito e nos atos devocionais. O grande mistério não deveria ser "por que o mundo se secularizou?", mas "por que ele foi cristão por tanto tempo?", mesmo depois do momento de fragilidade do Império Romano e destruição de sua hierarquia que, como argumentamos, criou um terreno fértil para a divulgação de uma fé unificada a partir do governo de Teodósio I, lá no século IV.

Neste episódio vou tentar explicar a secularização da Europa a partir do momento em que ela foi necessária. Foi preciso, às pessoas pensantes, dar uma porção de passos até o momento em que você podia escrever abertamente que não acreditava na revelação cristã sem ser preso, sem ser executado. Para resumir bem, uma tendência cética significativa surge com a própria Reforma religiosa nos reinos alemães do século XVI. A gente conhece aquela história da reforma protestante com Lutero, Calvino e Zwingli; mas além desses nomes mais conhecidos, houve uma ala que os próprios reformistas consideravam radical demais -- em alemão eles foram chamados de "espiritualistas" e que não são ensinados em escolas de teologia hoje por negligência de nossos teólogos. Essas figuras são as mais ousadas e interessantes de sua época.

ceticismo reformista

Sebastian Franck (1499-c. 1543) e Kaspar Schwenckfeld (1498-1561) eram duas dessas figuras, e eram líderes de comunidades apartadas. Nada indica que tenham se conhecido ou sequer sabido da existência um do outro: Franck liderou comunidades reformistas ao sul do Sacro Império Romano-Germânico, na Bavária e depois na Suíça, Schwenckfeld lá no nordeste do Império, na Silésia, onde hoje é a Tchéquia e a Polônia.

Ambos começaram como defensores da Reforma de Martinho Lutero, mas rapidamente passaram a acreditar que a purgação luterana da superstição e da corrupção tinha sido insuficiente. Franck passou a acreditar que a verdadeira religião deveria vir do coração e somente do coração; o cúmulo [para ele] foi a cacofonia de diferentes seitas e pregadores competindo por atenção naqueles primeiros anos de caos da Reforma religiosa. Como saber qual era a verdadeira Igreja de Cristo? Esse é o tipo de crise de consciência que acometeu uma porção de pessoas à época, e eis que Franck chegou a uma solução desconcertante: a maioria das pessoas simplesmente acabava escolhendo um grupo ou, ocasionalmente, criando o seu próprio. Mas Franck decidiu que, na verdade, não existia mais qualquer igreja verdadeira. Ela certamente tinha existido, mas desaparecera séculos atrás, quando o último dos apóstolos originais de Cristo morreu. Então, ele propôs: a Igreja física de Cristo ascendeu ao céu e jaz oculta no espírito e na verdade. Há mil e quatrocentos anos não existe uma Igreja [verdadeira] reunida, tampouco sacramentos. Então, ele sugeriu que a igreja hoje deveria ser algo puramente espiritual, e nesse caso, todas as coisas e cerimônias externas devem ser abolidas e não devem ser reinstituídas. (Alec Ryrie, "The Spiritual Quest Against Religion". Gresham College, 2019, https://www.youtube.com/watch?v=ElN1bgNLMyA)

Ou seja: aquele monte de rituais, hierarquias, interpretações mirabolantes representou um momento infantil da cultura cristã. Era uma boneca com a qual cristãos já tinham brincado por tempo suficiente. Chegava a hora de eles amadurecerem. E as implicações disso para essa ala radical da Reforma foram dramáticas:

  • toda observância religiosa devia ser interrompida: nada batismos, sacramentos, pregadores, igrejas, cultos;
  • Franck sequer incentivava seus leitores a se encontrarem informalmente para se apoiarem e encorajarem mutuamente; ele permaneceu convicto de que a Bíblia era a Palavra de Deus, mas estava cada vez mais relutante em se apoiar em seu texto preciso, já que suas traduções eram constrangedoramente inconsistentes, e os originais tinham desaparecido;
  • ele cria piamente que o espírito interior era o que realmente importava e isso significava abandonar não apenas cada igreja cristã em particular, mas a noção de cristianismo como um todo.

O que importava era a jornada interior rumo à perfeição, uma jornada na qual ele insistia que pagãos e muçulmanos poderiam participar tão bem quanto os cristãos, porque, afinal, todos são instruídos interiormente por Deus. Todos são filhos e filhas de Deus.

Aqui estamos falando de homens profundamente religiosos, não de ateus. Eles estavam buscando uma purificação da doutrina de excessos desnecessários e que, antes de tudo, resultavam na Europa daquela época: um continente em que denominações cristãs diversas disputavam para ver quem mijava mais longe. Em que líderes como Lutero traía um antigo aliado como Thomas Münzer descaradamente em nome de uma disputa doutrinária que se tornava cada vez mais política. E aquilo não tinha mais graça.

Tanto Franck quanto Schwenckfeld viveram vidas longas e protegidas em suas comunidades, mas suas doutrinas foram apagadas da história da Reforma Protestante. Os seguidores de Schwenckfeld migraram para a Holanda e depois para o Novo Mundo, para o estado da Pennsylvania nos EUA, e ainda existem por ali como uma comunidade pequena de cristãos tolerantes a outras fés. A versão que venceu o embate da Reforma foi aquela liderada por Lutero: um milenarista fanático e um homem profundamente vulgar e politicamente moderado, que reinstaurou o sobrenaturalismo dos católicos ao culto cristão a sua própria maneira.

Nada mudou muito nas igrejas uma vez que seu poder se consolidou. Só o formato do ritual. A caça às supostas bruxas na Alemanha, por exemplo, só se intensificou com Lutero. E não faltou oportunidade de Lutero ter contestado o sobrenaturalismo católico -- deixa eu falar rapidamente sobre um episódio que protestantes ignoram, mas que é central: houve um Colóquio em Marburg no ano de 1525, entre reformistas, para tentarem chegar a um acordo e unificarem os movimentos descontentes com a fé católica num só bloco. Só assim eles seriam capazes de enfrentar o catolicismo politicamente. Na ocasião estavam Lutero, Zwingli e grandes nomes do protestantismo revisitando doutrinas formadoras da fé cristã com a Bíblia ao lado e dando seu parecer erudito sobre o que era bíblico, o que era acréscimo desnecessário da tradição patrística. Ambos rejeitaram a transubstanciação mística dos católicos, concordavam em 14 de 15 tópicos. Ficou de fora a questão "se a comunhão era o corpo e sangue de cristo" -- a questão central da crença figuralista sobre a qual a gente está debatendo há uns 4 episódios.

Nesse quesito, Lutero mostrou ser um homem medieval, e insistiu no dogma católico que afirma "haveria uma realidade supraterrena, para além das aparências do mundo, em que o sacrifício passado de Jesus se espelha, diretamente e através dos tempos, no rito da comunhão. Aquilo que você bebe na missa é o sangue de cristo, e o que come é a carne sacrificial etc etc." Esse é o misticismo cristão medieval, e negá-lo seria fazer desmoronar sua visão de mundo.

Zwingli, por sua vez, era um homem da Renascença: os sacramentos são só símbolos. Eles "representam simbolicamente algo que não é", diz ele. A religiosidade cristã para Zwigli deveria se aproximar da racionalidade; a sacralidade do que é sacro teria que desaparecer conforme um cristão amadurecesse em sua fé. O ritual vira só um ritual para os neófitos. Há historiadores da religião como Erich Heller que afirma: Zwingli realiza uma Revolução Copernicana na religião. Crença sobre o que é real e o que não é reverte-se, e o figuralismo passa a perder força na Suíça, pelo menos, daqui em diante.

Mas o luteranismo obtém um êxito nominal; a teologia de Zwingli está integrada amplamente na maioria das igrejas protestantes hoje, mas ninguém se denomina zwingliano, algo assim. Marcas dessa doutrina ficam no tal racionalismo cristão, na Christian Science, etc. Em outras palavras, do século XVI em seguida, a igreja se secularizou antes de o mundo fazê-lo, apostando todas as fichas na Igreja como uma educadora e moralizadora das massas, e a doutrina cristã se reverteu em um conjunto de símbolos que explicavam uma boa vida. 'É nossa tradição, é o modo de vida europeu'.

Vamos considerar essa história toda da Reforma Radical como uma primeira vertente de dissolução da autoridade de uma igreja centralizada: os espiritualistas alemães em busca da vivência com o divino para além da igreja, por um lado; Zwingli em busca de uma racionalização da fé, por outro.

Agora me volto para os filósofos humanistas e a criação de uma tradição agnóstica.

Agnosticismo

Agnosticismo é a postura que diz: "só acredito vendo", e ela na teologia é professada por pessoas adultas ou idosas que passaram a vida inteira investigando as possibilidades de conhecimento da mente humana. Mesmo assim, chegaram à conclusão: "nada até agora me comprova os artigos de fé de nenhuma religião".

Até esse momento só um imperador ou líder religioso amparado por uma comunidade podia ousar questionar um papa. No século XVI, o que um matemático como Blaise Pascal pôde fazer de mais direto foi afirmar que a fé cristã poderia ser pensada como uma aposta (esse é aquele argumento filosófico que sugere que, diante da incerteza que temos sobre a existência de um Deus invisível e ausente, é mais racional e vantajoso apostar na crença, pois o ganho potencial (vida eterna) é infinito, enquanto a perda (prazeres finitos) é insignificante). Hoje esse soa como um argumento ridículo, já que a antropologia nos relevou um mundo com milhares de fés e deidades e propostas teológicas em que você deveria apostar, portanto. Eu vou aceitar todas as religiões que, segundo os outros, estão certas?

Mas eu tento a interpretar o momento de Pascal, que era um filósofo competente, como um indício do enfraquecimento do figuralismo entre classes educadas da França do século 16 e 17. Se lá atrás, de Ambrósio a Lutero, clérigos insistiram na obviedade da presença do Divino no mundo e seus eventos, um camarada bem-informado como Pascal estava colocando as cartas na mesa e deixando claro: "os artigos da fé cristã são só especulações sobre uma realidade subjacente do mundo, empurrada para frente por uma tradição autoritária. Não existe como a mente humana confirmar que eles sejam verdade da mesma forma que confirmam verdades matemáticas, por exemplo -- sequer a historicidade de Jesus Cristo foi comprovada, ainda mais a existência de milagres e tal. Então eu proponho uma teologia que trabalhará com essa noção de aposta". E essa noção reduz as certezas teológicas à lógica de um jogo. E nesse jogo, nós devemos medir os benefícios morais de termos uma sociedade que professa o cristianismo. E insisto: Pascal era mais inteligente do que parece num primeiro momento, com esse argumento da aposta.

Pensemos no contexto em que ele viveu: ele estava escrevendo durante a Guerra dos 30 Anos, que se estendeu de 1618 a 1648. Mais de 8 milhões de mortes, em que cristãos matavam cristãos, para ver quem tinha a doutrina mais correta. Quando ele era uma criança de colo, entre 1621 e 1629, houve rebeliões dos huguenotes na França. Daí a Guerra dos Três Reinos (1639-53), a Guerra Sabóia-Valdense foi outra particularmente sangrenta, e levou ao Massacre da Páscoa Piemontesa de 1655 (crianças, velhas, grávidas sendo degoladas num vilarejo em chamas por não se submeterem a uma versão do cristianismo que se julgava mais santa). Massacre atrás de massacre em nome dessa doutrina santa e moral -- e a conclusão da sua teologia é: vamos medir, coletivamente, se na esfera moral vale a pena apostar nessa cultura que nos for relegada. É muito difícil um europeu com alguma coisa na cabeça ver isso acontecer e não ficar ao menos com a pulga na orelha de que algo estava errado. Aqui a gente já tem um gérmen de outra tendência de secularismo, porque os referenciais para julgarmos o valor de uma religião são tanto a razão, quanto o mundo moral.

Eu já vi o argumento de Pascal sendo usado por cristãos como prova de vale mais a pena aceitar a tradição ocidental porque ela é dominante; ele próprio dizia ser um jansenista, um membro de comunidade religião reformista, mas fiel à tradição cristã. Mas insisto: o efeito da sua filosofia é parte da cultura do humanismo francês, já que ela favoreceu o declínio do figuralismo ambrosiano, e cooperou para a formação de uma cultura jurídica que culminou no Estado laico moderno um século dali.

Toda a aposta de Pascal residia na coesão que a religião pode promover ou destruir em uma sociedade: no século XVII, não existia força mais destrutiva da riqueza dos reinos e coesão social do que treta religiosa. Então, quando o poder do Estado é oficializado como princípio máximo, acima da religião, que surge o Estado laico: um Estado regido por regras que se põe acima de qualquer artigo de fé. Nele as pessoas têm liberdade para adorar cristais, o deus Sol ou um carpinteiro da Judeia, e podem fazê-lo contanto que isso não interfira na ordem cívica e política. Este é o mundo em que vivemos hoje, e esse dispositivo nos poupou de um bocado de carnificina desnecessária.

secularismo científico

Até aqui eu falei de cristãos convictos colocando a pele em risco por divergências em sua doutrina -- agora imagina o que era ser declaradamente ateu na Europa do século XVII. Negar a crença incondicional aos artigos de fé cristãos te levava à forca. Pessoas irreligiosas foram inicialmente consideradas imorais (mesmo que fossem mais decentes que o bispo local), dignas da desconfiança por não temerem um poder superior, e muitas vezes perdiam tudo o que tinham. Perdiam suas vidas -- eu fiz um episódio de 1 hora sobre caça às bruxas e não vou repetir aqui que essa foi uma constante na história europeia e do Novo Mundo.

Alguns cientistas tentaram trilhar esse caminho: Galileu quase foi executado por ousar dizer que o planeta Terra não era o centro de todo o cosmos (mas um planeta a mais que girava em torno do Sol), e se safou no último momento por influência de seus patronos; Giordano Bruno foi queimado na fogueira por afirmar algo que hoje vemos como plausível: matematicamente, faz mais sentido dizermos que haja um sem número de mundos habitáveis no universo do que o oposto, que o Planeta Terra é um planeta especial, palco da criação divina e seu plano. Por 7 anos Bruno foi mantido em custódia por isso, e queimado em 17 de fevereiro de 1600 por discordar da concepção medieval do cosmos.

E por isso a ciência teve que ser mais sorrateira quando esbarrava nos artigos de religião.

Aos poucos as ciências foram ganhando terreno no discurso das pessoas com acesso à educação, mostrando que a raça humana é uma espécie em meio a outras espécies; que o planeta Terra é um astro em meio a outros. Moralidade é um construto social e mutável, e o Deus personalizado é um espantalho feito à imagem e semelhança do povo que o adora, e nem precisa existir -- conforme a antropologia se desenvolveu, constatou-se que várias culturas e civilizações abstraíram a ideia de Deus nas forças da natureza, num princípio único e abstrato. A sociedade humana funciona, e muito bem, sem esse dispositivo. A humanidade não precisa de religião institucionalizada, e isso não implica que a busca pela espiritualidade será, a partir daqui, buscada nas ciências: as ciências não produzem significados, elas desvendam os fenômenos do mundo e revelam como ele funcionam. (Não porque ele funciona assim). Existe espiritualidade para além da religião, e num episódio que quero analisar aqui, do século 18, começa a surgir a impressão de que a autêntica busca por espiritualidade no Ocidente depende do fim do monopólio do cristianismo. Não é a ciência, mas uma nova cultura que deveria produzir sentidos e afetam o dia a dia das pessoas, e a cultura do pluralismo religioso foi o primeiro passo para a secularização do mundo, num período de guerras religiosas sem fim. Aqui eu salto para um debate no Iluminismo alemão entre Lessing e Jacobi.

perenialismo e pluralismo religioso

A gente viaja para o Sacro Império Romano-Germânico, atual Alemanha, na década de 1780. Wolfenbüttel é uma cidadezinha na Baixa Saxônia onde existia uma das bibliotecas mais completas da Europa esclarecida, a tal Biblioteca Augustana. Em dado momento o duque local convidou o dramaturgo Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781) para ser seu bibliotecário -- Lessing teve uma extensa carreira tentando reformar o teatro de língua alemã, se meteu em empreendimentos artísticos que lhe renderam pouco dinheiro, e ser convidado para atuar como bibliotecário de um nobre significava tanto um alívio financeiro em sua idade avançada (ele entrada na fase dos 50 anos), quanto um sacrífico de toda a vida social dos cafés e salões literários da cidade de Hamburgo, onde ele então atuou. Depois da Reforma Religiosa do século XVI a Alemanha tornou-se muito mais tímida quando o assunto era reformar a política e as ideias vigentes: o Iluminismo por lá foi bem menos bombástico do que foi na França e Escócia; a França teve sua grande revolução, e os alemães, com poucas exceções, quando tinham ideias revolucionárias, guardavam-nas para si. Quando muito, eles organizavam debates com outros intelectuais -- por meio de livros --, mas em suas vidas regulares guardavam para si quão insatisfeitas podia estar com as coisas. Sobretudo quando o assunto era ortodoxia religiosa.

Pois bem, Lessing se enfurnou naquela biblioteca magnífica, e vez e outra era visitado por amigos. Ele era bem conhecido como um polemista feroz, e um tal Friedrich Heinrich Jacobi (1743-1819) foi visitá-lo em Wolfenbüttel. Jacobi não era exatamente uma figura respeitada; no rol dos filósofos alemães, ele raramente é lido hoje em dia, e serviu mais de um antifilósofo que traiu praticamente todos seus parceiros da época. E esse indivíduo pede ajuda de Lessing para combater uma suposta conspiração espinozista que estaria invadindo as mentes dos pensadores e pensadoras alemães. Spinoza foi um judeu holandês já morto e enterrado, que jamais produziu um séquito de seguidores spinozistas; mas para Jacobi, a religião cristã estava sendo ameaçada por suas ideias. Sobretudo a ideia de que deus é a natureza -- ele não seria uma entidade que reina sobre as criaturas, mas antes é a essência que toda criatura compartilha, de uma árvore até um ganso --- dessa dissolução do divino na matéria, derivaria a conclusão de que Deus sequer existia como tal, pois não seria nada além que o cosmos. Ele seria as coisas, sem individualidade, sem uma vontade própria aliás -- se reduziria na necessidade cega do mecanismo da natureza, expressa na fórmula deus sive natura, a qual foi individualizada por algumas culturas humanas por força de simplificação ou superstição. Esse panteísmo irresponsável de Spinoza, continua Jacobi, invariavelmente resulta em ateísmo: se tudo o que existe é divino, nada é particularmente divino e digno de adoração. Pessoas sem devoção por um poder superior logo recorrem ao niilismo -- esse termo aliás foi popularizado aqui, via Jacobi --, e niilismo pode ser pensado como uma implicação axiológica e moral desse ateísmo: quando nada mais é sagrado, o ser humano recai numa imoralidade. A ligação automática de ateus com imoralidade é também um produto do pensamento de Jacobi muito influente hoje em dia, pois ele se stende para o seguinte questionamento: "o que seria uma comunidade inteira, uma cidade, uma nação de pessoas descrentes num poder superior personalizado?" Jacobi só conseguia imaginar o caos completo. E a tudo isso que seu colega lhe apresentava, Lessing respondeu: "Mas eu sou spinozista. A filosofia de Spinoza é a única que existe para mim". Ha. Existe, sim, uma chance de que Jacobi estivesse soltando uma isca para fisgar o colega; anos antes Lessing havia atuado como editor de papéis do falecido amigo, Hermann Samuel Reimarus (1694-1768) chamado Von Duldung der Deisten: Da Tolerância dos Deístas, e gerado um escândalo na sociedade respeitável alemã. Reimarus esperou morrer para que o amigo organizasse seus papéis e fosse a público dizendo: "Deus não pode estar contido em uma só religião." Geograficamente, historicamente isso é absurdo. Cristianismo existia há 1700 anos, e milênios antes disso houve seres humanos que sentiram como nós, vivenciaram a perplexidade que vivenciamos perante o cosmos, perante os mistérios da natureza, perante o esplendor e horror do mundo. Reimarus proclama o deísmo como a devoção a um princípio divino compartilhado por todas as religiosidades mundiais -- cada doutrina é a forma (a princípio) legítima de um povo expressar seu espanto original neste universo sem respostas. Os deístas, na era do Iluminismo, estavam munidos de conhecimento científico e dados sobre a história humana que os levavam a conclusões radicais sobre a espiritualidade humana. Questionar o edifício de nossas crenças não é o espírito da Reforma que chacoalhou o mundo cristão na época de Lutero? Que cada geração o chacoalhe mais uma vez, se for para isso nos aproximar da verdade sobre nossa existência.

Reimarus não podia ter escrito isso em vida, novamente. Lessing conhecia seu segredo, publicou seus papéis em três partes como um editor neutro dos escritos de um amigo, e com isso iniciou a tal Controvérsia dos Fragmentos de Wolfenbüttel contra um clérigo, o pastor Goeze, de 1774 a 78. A visita de Jacobi é de dois anos depois disso, então faz sentido a gente imaginar que Jacobi estava tentando expor a confissão irreligiosa de Lessing. O resultado é uma série de escritos difamatórios que Lessing sequer tem a chance de responder: ele falece um ano depois num acesso de asma. O timing de Jacobi é um tanto infeliz: a família Lessing acabara de enterrar seu ente querido e lá vinha um escrito de Jacobi questionando sua moral e seriedade de seu relacionamento com Jesus Cristo. Jacobi era como um conspiracionista de nossa época: se via no papel do defensor eleito de toda a religião cristã --- e seu papel seria impedir que também o maior dramaturgo alemão vivo, Lessing, ajudasse a disseminar posições ateístas.

Um amigo dos dois, Moses Mendelssohn, intercede com um panfleto: Moses Mendelssohn an die Freunde Lessings. Ein Anhang zu Herrn Jacobi Briefwechsel über die Lehre des Spinoza (1786). Aos olhos de Mendelssohn, as "revelações" de Jacobi representam uma apropriação desrespeitosa da memória de seu amigo recém-falecido. Os argumentos desse debate importam menos para nós do que suas repercussões. Ninguém fez a juventude se interessar mais por Spinoza e pelo deísmo do que o cristão ortodoxo Jacobi em seu vilipêndio da memória do amigo. Alguns anos mais tarde, uma parcela da juventude alemã está se assumindo como panteísta e anticristã.

Deixa eu falar sobre o pensamento de Lessing. Ele de fato teve contato com os livros de Spinoza desde a década de 1760, onde leu sua Ética e foi desenvolvendo uma espécie de justificativa da doutrina cristã como doutrina essencialmente moral: seus aspectos sobrenaturais não importavam, seriam fruto da mentalidade supersticiosa de pessoas do Império Romano. No artigo O Testamento de João (1777) ele fala da religião como uma conformação prática da vida: a religião cristã deve conduzir ao amor pela humanidade e à obediência ao supraterrâneo. A Sagrada Escritura, porém, não transmite conhecimento filosófico nem verdade teórica -- somente um princípio geral de comportamento ético.

Nos últimos anos de vida, Lessing fez algo parecido ao amigo Reimarus: escreveu um tratado póstumo chamado ele discute a questão do deísmo abertamente: aqui Lessing desenvolve a ideia de que a "representação" que Deus tem de si mesmo contém realmente tudo o que se predica de Deus. Isso inclui também sua propriedade de ser criador, causa de todas as coisas, de tal modo que todas as coisas estão nele e ele em todas as coisas. Como parte da criação divina e de sua essência, a humanidade desenvolveu modos de conhecimento das coisas divinas, e essas são as religiões mundiais, em constante movimento e aperfeiçoamento de seus métodos. Mas chegara o momento em que as religiões mundiais passaram a servir de pedra de tropeço na jornada de percepção da verdade divina. Lessing fala como um Iluminista raiz; um homem que cria piamente que aquele momento de avanços filosóficos e científicos inauguraria uma nova era de progresso e avanço intelectual da humanidade como um todo. A meta da humanidade, dali em diante, seria ingressar na era de um "novo evangelho eterno" (diz ele em § 86), quando o ser humano "fará o bem porque é o bem, não porque recompensas arbitrárias lhe foram impostas" (§ 85). O homem encontrará a plenitude da vida nas "recompensas interiores e melhores" da virtude (§ 85), não em promessas de pastor ladrão ou notas promissórias para o reino dos céus. Isso implica uma recusa da versão cristã do Juízo Final e toda sua parafernália sobrenatural -- é uma negação completa do cristianismo enquanto fonte exclusiva de ensinamentos éticos. É uma forma de trazer avanços da filosofia moral para um campo antes relegado à teologia.

O historiador literário argelino Georg Pons, em Gotthold Ephraim Lessing et le Christianisme (1964), compila paralelos entre Lessing e Spinoza, e realmente os dois concordavam em aspectos elementares:

  • A entronização da "natureza" pela razão
  • A valorização de Cristo como mestre
  • A recusa do pensamento da "predestinação"
  • A redução da doutrina cristã ao Evangelho de João
  • A ênfase no aspecto prático do cristianismo

Para os dois, o mandamento do amor é a quintessência do Evangelho. Pons atribui a insuficiência sentida por Lessing em relação à religião luterana a sua orientação para o mundo terreno. O terreno torna-se para Lessing mais importante que o transcendente. O espinosismo, em sua concepção alemã, significa a dissolução da teologia em filosofia. O conceito torna-se sinônimo de orientação pela razão, e afastamento radical da herança patrística.

A cultura moderna havia atingido um estágio onde a humanidade assumiu agência criativa antes projetada em Deus, marcando a superação do teísmo clássico, mas diferenciando-se do ateísmo. Spinoza, Lessing e depois Goethe não colocaram o conceito de Deus de lado como algo irrelevante. Eles colocaram, sim, a ortodoxia de lado. Cito Lessing:

"Os conceitos ortodoxos da divindade já não são para mim... Ἓν καὶ Πᾶν! Não conheço nada além disso".

Ἓν καὶ Πᾶν! -- o uno é o todo. Esse é Hen, é o conceito de To hen de Plotino -- a totalidade unificada dos nexos incomensuráveis que precede e extrapola nossa capacidade de compreensão. Espiritualidade é a expressão da tentativa, sempre incompleta, de experiência com esse Todo. Ela é correlata a outras buscas constitutivas da experiência humana -- da razão humana por verdades, da sentimentalidade por maturidade moral e autocontrole --, e deve partir da liberdade radical de cada indivíduo para buscar ou não sua dimensão espiritual. Só em uma sociedade secularizada, 'neutra', essa busca é possível.

Existe uma leitura do perenialismo por René Guénon que igualmente postula a existência de uma "sabedoria perene" ou tradição primordial única por trás de todas as grandes religiões do mundo. Mas essa tendência é bastante crítica do Iluminismo e do materialismo: ela soa curiosamente próxima às objeções de Jacobi, assumindo que o pensamento iluminista e cientificista levou ao individualismo niilista de nossa época, que deveria restaurar princípios metafísicos tradicionais e esotéricos. Bom minha gente, o perenialismo é cria direta do iluminismo alemão. Da coragem de homens como Reimarus e Lessing de deixar testamentos de tolerância, sem fingirem terem acesso exclusivo aos mistérios do cosmos e à interpretação correta da essência do divino.

Neste episódio busquei mostrar como a própria Reforma anticlerical nos ensinou a ser céticos, e isso virou uma marca da busca espiritual para além da religião institucionalizada; por séculos pessoas pensantes constatam que a espiritualidade que por vezes buscam está em qualquer lugar menos em cultos evangélicos que parecem dinâmica de grupo de empresa [sabe, um monte de otário disputando para ver quem se encaixa melhor no papel que esperam deles?]. Ou missas e sinagogas, onde a mesma ladainha de sempre é repetida e repetida e repetida, já destituída de sentido, por força da inércia necromórfica das tradições. Religiões não têm cada vez menos fiéis por conspiração externa, mas porque subestimam a inteligência das novas gerações. Os jovens que as frequentam só porque foram levados pelos pais estão abandonando seus bancos porque não encontram ali o que buscam.

Nosso amigo Lessing teve a sensibilidade de identificar isso ao longo da vida e fazer algo. Ele não foi o único, essa história poderia ter sido contada com o exemplo de Goethe, de Nietzsche, de Machado de Assis -- grande pensador secular também. Optei por Lessing por ter um judeu em meio a cristãos, que pregou a tolerância e liberdade de pensamento radical também no quesito teológico. Sua peça final, Nathan der Weise, tem um papel especial dentro da dramaturgia alemã, um papel muito simbólico, e vive sendo encenada em momentos em que aquele país tem que parar o que está fazendo para repensar seus rumos.

Na Berlim de 1945, uma cidade imersa nos escombros da Segunda Guerra Mundial, destruída por força das ilusões do nazismo, o cineasta Paul Wegener fez uma montagem dessa peça. Foi o último trabalho que ele desempenhou antes de morrer em seu apartamento dias mais tarde. E eu acabo esta apresentação com uma cena em que o judeu Nathan conta uma parábola a um muçulmano, Saladino. Essa ficou conhecida como a parábola dos três anéis. Ela resposta à afirmação do sultão Saladino: "das três religiões [abraâmicas] só uma pode ser verdadeira" (III-5). Nathan responde:

Ato III, cena 7 de Nathan der Weise (1779):

"Há muitos anos vivia um homem que possuía um anel de valor incalculável que recebeu de uma pessoa querida. Sua gema era uma opala que refletia centenas de belas cores e tinham o poder oculto de tornar, aos olhos de Deus e dos homens, aquele que o levava, contanto que o merecesse. Não surpreende, pois, que esse homem nunca o tirava do dedo, e que nutriu a intenção de mantê-lo para sempre no seio de sua família. Foi o que fez. Ele relegou o anel a seu filho mais amado; [...] assim este anel passou de filho para filho, até que finalmente chegou ao pai de três rapazes; os três eram igualmente obedientes, de forma que o pai amava aos três do mesmo modo e era incapaz de decidir-se. [...] Que podia fazer? Em segredo mandou buscar um artista e requisitou outros dois anéis segundo o modelo de seu próprio, ordenando-o que não poupasse meios ou esforços para fazer com que os três anéis fossem completamente idênticos. O artista conseguiu fazê-lo. Ao trazer os anéis para o pai, sequer pode distingui-los do original. Feliz e satisfeito, chamou a cada um dos filhos em privado; lhes deu sua benção e seu anel, e morreu. [...] Estando morto o pai, os filhos chegaram com seus anéis e todos quiseram ser chefes da casa. Investigam, discutem, denunciam. Tudo em vão; não se pode provar qual é o anel autêntico. (Uma pausa em que o sultão aguarda uma resposta). Algo quase tão impossível é determinar agora qual é fé verdadeira."

BIBLIOGRAFIA

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Friedrich Heinrich Jacobi. Sobre a doutrina de Espinosa em cartas ao senhor Moses Mendelssohn. Tradução de Juliana Ferraci Martone. Campinas: Editora Unicamp, 2021.

Gotthold Ephraim Lessing. Nathan der Weise: Ein Dramatisches Gedicht, in fünf Aufzügen. Stuttgart: Reclam, 2021.

Gotthold Ephraim Lessing. Die Erziehung des Menschengeschlechts. Historisch-Kritische Edition mit Urteilen Lessings und seiner Zeitgenossen. Lausanne: Peter Lang Verlag, 1981.

Monika Fick. "Fragmente eines Ungennanten und Fragmentenstreit" in: Lessing-Handbuch : Leben -- Werk -- Wirkung. Stuttgart: J.B.Metzler Verlag, 2016a, p. 408-441.

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SSO: https://www.ssb.no/en/kultur-og-fritid/religion-og-livssyn/statistikk/den-norske-kirke;

CNE: https://cne.news/article/1326-less-norwegians-go-to-church;

Statista: https://www.statista.com/sso/iplogin?__sso_redirect=/statistics/909406/religious-identification-in-norway-by-type/;

NO.NewsinEnglish: https://www.newsinenglish.no/2009/09/30/church-attendance-hits-new-low/


[^1]: SSO: https://www.ssb.no/en/kultur-og-fritid/religion-og-livssyn/statistikk/den-norske-kirke; CNE: https://cne.news/article/1326-less-norwegians-go-to-church; Statista: https://www.statista.com/sso/iplogin?__sso_redirect=/statistics/909406/religious-identification-in-norway-by-type/; NO.NewsinEnglish: https://www.newsinenglish.no/2009/09/30/church-attendance-hits-new-low/

[^2]: How to be an Atheist in Medieval Europe (Gresham College, Prof. Alec Ryrie, 2018): https://youtu.be/Eb5mYqnKFlI?si=iVvEGKYDAorDMjmk&t=425

Referências bibliográficas

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AUERBACH, Erich. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental. Trad. George Bernanrd Sperber. São Paulo: Perspectiva, 2021.

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BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel | acf ©️ 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (SBTB).

HOMERO. Odisseia. Trad. Carlos Alberto Nunes. Editora Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.